
Não morrerás em mim. Não morrerás
assim como uma sombra na distância,
o vento no horizonte e, nas manhãs,
a alegria mais pura que inventamos.
Serás presente em tudo e viverás
o segredo de todos os momentos.
Todas as coisas gritarão teu nome
e o silêncio mais ouro, o mais sutil,
aquele que mais dói e acende as noites
e o ser profundamente intranquiliza
este restituirá o movimento,
a eternidade viva de teus passos
e a certeza mais limpa de que nunca
tu morrerás em mim.
Não morrerás.
( Gilberto Mendonça Teles - Falavra, p. 44 )
:: Postado por
Val
às
13h05
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A poesia de Gilberto Mendonça Teles carrega em si uma
preocupação com a linguagem, com o uso de cada palavra,
de cada som que ele possa evocar. no espaço da página
os seus poemas evoluem, sempre buscando um
aproveitamento do passado. Encontra-se aí introjetada
uma pesquisa intelectual bastante elaborada, em
constante confronto com a emoção e com a razão, como
por exemplo, neste trecho do poema abaixo, onde,
notadamente, o poeta se refere à figura camoniana:
"Textos, pretextos, motivos
de alguma estranha epopéia
(...)
formas perdidas na areia
que um olho apenas procura".
:: Postado por
Val
às
08h34
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