
“A geografia de Macatuba ( como a de Pasárgada ou a de São Saruê ) só se deixa perceber através desses dois planos da linguagem: o de revelar pela verossimilhança semântica a lógica e a ilusão da realidade sensível; e o de calar pela lógica interna do discurso literário. Daí por que as narrativas desse livro parecem vacilar entre o “real” e o “irreal”, entre o prosaísmo agreste do calor e a poesia litorânea das miragens”.
( Gilberto Mendonça Teles - trecho do Prefácio a Os de Macatuba, de Tarcísio Gurgel, Natal ( RN ): Fundação José Augusto, 1975)
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Val
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Vou contornando a linha de teu ventre
como quem passa perto de quem ama.
Tenho ante os olhos tua imagem e entre
meus lábios os tecidos desta cama.
Vou enrolando os fios de teus cabelos
como quem fia o amor nalguma roca.
Entre meus dentes há vogais e pêlos
e esta insatisfação que te convoca.
E cada vez vou-me deixando inteiro,
corpo e alma, no centro desta soma:
toda a sofreguidão de um brasileiro
na sensualidade do idioma.
( Gilberto Mendonça Teles - Falavra, p. 97 )
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Val
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01h44
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"...De dentro do poema é que se alcança medir
todo o seu tempo, toda a sua estirpe
de nuvem e engenharia de horizontes.
[...]
Ninguém tateia a penugem de suas letras,
sem enredar-se na forma rasa do anagrama
e perceber no fundo o limiar do eterno.
De seus cabelos nascem as auroras mais puras
e de seus olhos as distâncias se desdobram
na única perspectiva de confins pelo espaço,
neste feixe memorável de encruzilhadas e feitiços."
( Gilberto Mendonça Teles - & Cone de Sombras, p. 22-3 )
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Val
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09h14
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