ELIPSE

ELIPSE

 

Vim descobrir o que ficou de elipse

e precisão,

o que se fez sucinto e reticente,

o inacabado do cabo Não.

 

Vim recolher esta úmida sintaxe

que foi além

e não poupou a rigidez da língua

que ficou sem.

 

E vim, não para ver, deixar a meio

fala e raiz:

vim extrair de ti a própria essência

do que não fiz.

( Gilberto Mendonça Teles - Plural de Nuvens, p 1990, p. 66 )

 

:: Postado por Val às 15h15
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SEARA

[...]

A terra abriu o ventre amorenado

à volúpia da relha fecundante.

E dos sulcos arais e das leivas do solo

brotaram de repente os cachos suculentos

das frutas mais sabidas.

 

Nos caules balançavam, já maduras,

as espigas do amor.

 

Era a safra do amor, quando te conheci.

.  ( Hora Aberta – Poemas Reunidos, 2003, p. 765 )

 

 

:: Postado por Val às 09h30
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